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Postado dia 14 de maio de 2015
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A menina que viu o namorado morrer

Marina

Só há uma coisa mais frustante do que o entrevistado que conta a história mais mirabolante do planeta e, no final, resolve não assinar a autorização de uso de imagem. É o entrevistado que conta a história mais mirabolante do planeta, assina a autorização de uso de imagem e, dias depois, nos manda um e-mail pedindo para que o vídeo não seja postado. Foi isso o que aconteceu com a Marina – cujo nome verdadeiro, claro, não é Marina.

Marina foi uma de nossas entrevistadas do Viaduto do Chá, em São Paulo. Ela tem 21 anos e faz faculdade de Nutrição. Estava passeando pelo centro da cidade, sem rumo, e, naquela tarde, tinha decidido fazer duas loucuras. A primeira delas foi sambar ao som do batuque de um grupo de músicos de rua. A segunda, conversar com dois estranhos, diante de uma câmera.

“Eu sou tímida. Extrovertida, às vezes. Dependendo da ocasião, engraçada”, definiu-se, ao primeiro contato. Contou que tem três irmãos mais velhos, pais controladores e, supõe, uma legião de garotos apaixonados por ela – nada surpreendente, porque Marina é uma gracinha. “Sou muito carinhosa e, às vezes, eles entendem do jeito errado”, desculpou-se.

Nas melhores entrevistas para o Estranhos, há um momento exato em que o personagem começa a contar uma história que, sabemos, é A HISTÓRIA. Isso aconteceu, por exemplo, quando Marinaldo disse que desferiu um golpe de faca contra um maloqueiro, Castor falou sobre o pai racista e Camilla revelou ter sido vítima de pedofilia. Com Marina, foi quando ela narrou a situação mais triste de sua vida. “O dia em que meu namorado morreu”.

Ela conta: “Nós namorávamos havia um ano e cinco meses. As nossas famílias não sabiam do relacionamento. Um dia, ele foi até a minha casa. Conversamos e, uma hora, começamos a discutir, na calçada. Eu queria acabar com aquele segredo todo, queria que ele conhecesse a minha família. Mas ele resistia, dizia que precisava de mais tempo. Como insisti, ele ficou bravo, entrou no carro e saiu em disparada. No primeiro cruzamento, avançou o sinal vermelho. Foi atingido por um ônibus, de frente. Corri até lá. Ele estava com os olhos abertos. Chamei pelo nome, mas ele não respondeu. Dois minutos depois, faleceu. Eu estava do lado, vi tudo”.

A tragédia, disse Marina, aconteceu em 2012. Até hoje, as famílias não sabem dos fatos que antecederam o acidente. “Tenho medo de que me culpem pela morte”. Fiquei impressionada pela maneira como ela contava a história. Parecia anestesiada. “Lidei com o trauma sozinha. Nunca contei para ninguém, nunca fiz terapia. Hoje não penso tanto nisso. Quero acreditar que a morte teve um motivo, que ele está em um lugar melhor”, desabafou.

O Daniel já tinha começado a editar o material quando recebemos um e-mail da moça:

“Naquela tarde, pensei muito sobre o que falei. Eu não devia ter contado sobre o acidente. Por favor, não postem o vídeo. Perguntas virão à tona e não estou preparada para respondê-las”.

Foi uma pena, porque a história era realmente impressionante. Que Marina supere o trauma, liberte-se da culpa e realize os seus maiores desejos, que revelou ao fim da nossa conversa: “Ter um futuro brilhante como nutricionista, casar e ter dois filhos”.

Adriana

Postado dia 07 de dezembro de 2014
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Ana Cristina

"Um defeito: medo de morrer. Tenho."
26 anos
Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP

Postado dia 07 de novembro de 2014
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Teaser 3

Postado dia 29 de outubro de 2014
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