Mylena

"É mais uma relação de amizade do que de pai e mãe. Eu fumo com os meus pais – acho que isso é bem difícil de acontecer hoje em dia, sabe?"
20 anos
Liberdade, São Paulo, SP

Postado dia 30 de janeiro de 2015
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Rafael

"Sou ator. Vim para o Rio com 200 reais em busca de oportunidades."
24 anos
Copacabana, Rio de Janeiro, RJ

Postado dia 29 de janeiro de 2015
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Julia

"Soneto Imortal. Dedico este soneto a todos os homens que pensam na morte."
29 anos
Copacabana, Rio de Janeiro, RJ

Postado dia 26 de janeiro de 2015
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Kátia

"No avião quem eu encontro? Roberto Leal! Ele me deu autógrafo e me chamou de 'Doutora Kátia'"
52 anos
Liberdade, São Paulo, SP

Postado dia 23 de janeiro de 2015
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Ocion e João Victor

34 e 14 anos
XI Bienal do Livro do Ceará, Fortaleza, CE

Um menino triste e seu pai herói

Tínhamos decidido recolher os equipamentos quando Ocion pediu para falar com a gente. Estávamos na Bienal do Livro do Ceará, em Fortaleza, e aquela tarde já havia sido muito produtiva – entrevistamos um sujeito que nos matou de rir, Gerardo, e uma menina encantadora, a Letícia, além de outras figuras que vocês ainda vão conhecer. A noite já avançava, estávamos suados, cansados, famintos e nutríamos o doce sentimento do dever cumprido, mas resolvemos fazer mais uma entrevista. E, na sequência, mais uma. Ainda bem, porque vivemos, ali, uma das experiências mais arrebatadoras do Fale com Estranhos.

À primeira e corriqueira pergunta, “Quem é você”, Ocion citou os dois filhos, João Victor e Vitória. “São os dois maiores troféus da minha vida”, disse. Presto bastante atenção a essa resposta. Acho que ela diz muito a respeito da escala de valores do entrevistado. Quem, de cara, revela a profissão mostra o quanto o trabalho é importante na sua vida. Já quem fala dos filhos não deixa dúvidas de que eles ocupam o centro da sua existência. Isso é puro achismo meu mas, no caso de Ocion, tenho certeza de que a minha tese se comprova.

Ocion é policial militar em Fortaleza. Talvez seja tido, por alguns de seus pares, como um cara que gosta “desse pessoal dos direitos humanos”, porque algumas vezes se pergunta os motivos que levam um bandido a ser um bandido. Demonstra arrependimentos, como na noite em que enxotou um criminoso ensanguentado que cambaleava numa rua próxima à sua casa. Reparem no olhar de Ocion quando ele lamenta não ter oferecido um copo de água ou uma camisa ao rapaz. Se não mencionasse a “briga interna” que o “bem e o mal” travam dentro dele, aquele olhar seria suficiente para dar o recado.

Nas batalhas mais práticas que trava no dia-a-dia da profissão – já viu um tiro passar a poucos centímetros de sua cabeça – Ocion lida com o terror de faltar para os filhos. Achei isso tocante. Mas só compreendi a real dimensão do medo quando ouvimos João Victor, seu filho.

“Sou um menino de família humilde”, ele se definiu. “Não tive muita convivência com a minha mãe”, continuou. Em menos de um minuto, começou a chorar. Passou a entrevista inteira lutando contra as lágrimas, que insistiam em interromper o fluxo da narrativa.

Quando era pequeno, João saiu de bicicleta com o pai e, na volta, encontrou a casa vazia. Foi abandonado pela mãe, que se mudou para Goiânia. João não fala abertamente sobre a dor do abandono, mas ela é clara. Mais tarde, o pai se casou novamente. Sobre a madrasta, ele diz: “Ela não desistiu de mim”.

O fim do vídeo é, pra mim, o momento mais comovente. João conta uma experiência inversa a que teve na volta para casa com o pai, quando encontrou tudo vazio. Na história mais recente, o final é feliz. “Eu me alegrei demais”, ele ri, finalmente.

O que mais nos impressionou, além do relato forte de pai e filho, foi a cumplicidade entre eles. João não ouviu a entrevista de Ocion – e, na vez do menino, o pai preferiu se afastar para longe. Ao fim, os dois saíram andando abraçados pelo saguão do Centro de Convenções, até alcançar a porta que levava à rua e fugir do alcance da nossa vista. Justamente por causa dessa cumplicidade, o Daniel optou por fazer uma edição diferente a que vocês estão acostumados. Esta é a primeira vez em que duas pessoas aparecem no mesmo vídeo.

Não pude deixar de pensar em como João Victor precisa do pai. Precisa muitíssimo. E como é cruel que Ocion exerça uma das profissões mais arriscadas do país.

No dia seguinte à entrevista, João Victor completou 14 anos. Tomara que ele tenha tido um aniversário bacana como na vez em que foi comprar sanduíches na esquina de casa.

Adriana

Postado dia 16 de janeiro de 2015
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Raimundo

"Mataram o Tancredo Neves. Ele foi assassinado, envenenado."
49 anos
Avenida Beira Mar, Fortaleza, CE

patinho

Pequena nota sobre essa conversa:
Quando Raimundo disse que vendia Totolec na praia, eu pensei que isso fosse um daqueles brinquedinhos de madeira com um cabo pra empurrar, tipo um patinho ou um cachorro que uns sujeitos vendiam em porta de restaurante quando eu era criança. Não é que eu pensei, eu tive certeza.
Acho que nunca ninguém deu um chute tão errado sobre algo como eu fiz.

Daniel

Postado dia 14 de janeiro de 2015
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Brenda

"Disseram que minha mãe me deu mamadeira quente, tentou me matar com tesoura, porque ela tinha ciúmes do meu pai"
19 anos
Praça José de Alencar, Fortaleza, CE

Postado dia 06 de janeiro de 2015
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Klaus

Klaus é um homem de sorriso fácil, mas se mantém vigilante contra a depressão - doença que vitimou sua mãe, morta dois anos atrás em circunstância tão triste quanto prosaica
38 anos
Estação da Luz, São Paulo, SP

Postado dia 23 de dezembro de 2014
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