No improviso

Praça do Patriarca, São Paulo, SP

chuva
O improviso é o camisa 12 do Fale com Estranhos F.C. Quer dizer, camisa 3, já que somos apenas dois nesse time.

Sempre pinta uma circunstância diferente. Quando a Brenda veio conversar com a gente, eu fiquei entretendo a filha dela e filmando ao mesmo tempo. Eu percebi que a menina estava um pouco incomodada por estar longe da mãe, então deixei ela “filmando” sentada no meu colo. Assim, consegui fazer com que ela não atrapalhasse a conversa e se distraísse. Com alguma sorte ela vai ser uma cineasta no futuro, pois esse momento vai ficar gravado no inconsciente dela e, na próxima vez em que ela se deparar com uma câmera, tudo vai fazer sentido.

Outra vez, perdi meus fones de ouvido enquando a gente mudava de locação. Gravei umas duas entrevistas sem (foi difícil) e, assim que pude, corri numa lojinha de 1,99 pra comprar o fone mais vagabundo possível só pra chegar até o fim daquele dia e pegar o meu fone reserva.

O Rodrigo chegou para conversar e a gente estava meio atordoado. A chuva caía forte e estávamos pensando no que fazer com o equipamento. Guardávamos ou tentávamos montar de alguma forma ali na marquise da Praça do Patriarca enquanto nos protegíamos daquele dilúvio?

Quando alguém se voluntaria pra conversar, sempre tentamos começar o mais rápido possível, porque geralmente as pessoas estão em horário de almoço ou indo para algum compromisso. Ali estava claro que ele só esperava a chuva passar pra ir embora e, apesar dela não dar nem sinal de trégua, montei tudo rapidinho, com o tripé baixo porque não queria perder muito tempo.

E a chuva só fez aumentar. Eu estava numa posição muito próxima do fim da marquise e o começo da chuva e o vento fez o favor de soprar muita, muita água nas minhas costas. Vesti a camisa 3 e dá-lhe improviso! Tirei a câmera do tripé e comecei a filmar na mão. Fazia muito tempo que eu não filmava assim. É por isso que essa é a única conversa que fizemos que tem duas câmeras diferentes. Quer dizer, a do Silas também tem, mas essa é a única em que eu segurei a câmera na mão. Merece um #NaRaça.

Daniel

Postado dia 31 de março de 2015
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Vicente

"Aqui no Ceará quando chove é um milagre"
71 anos
Avenida Beira Mar, Fortaleza, CE

Nos anos 90, Ciro Gomes, então governador do Ceará, criou um negócio chamado Seguro Sol. Ele era tão confiante de que praticamente não chovia no estado que propôs esse desafio: Se chovesse enquanto você passasse férias por lá, sua viagem seria reembolsada integralmente. UAU! Ninguém faria uma proposta dessas se não fosse totalmente confiante de que quase nunca chove por lá.

Era por volta de 7:30 da manhã quando encontramos Vicente na Avenida Beira-Mar, em Fortaleza. Estávamos na rua desde as 5:30 porque havíamos tentado conversar com os pescadores do Mucuripe numa tentativa que foi frustrada pela… chuva.

A conversa foi muito curtinha, já que a chuva chegou de novo! No final do vídeo, percebe-se que se algum dia Vicente for eleito governador do Ceará, o Seguro Sol vai voltar. Aliás, onde é que eu dou entrada no meu pedido de reembolso? Duas vezes no mesmo dia!

Daniel

Postado dia 19 de janeiro de 2015
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Nem sempre deus ajuda quem cedo madruga

Mucuripe, Fortaleza, CE

mucuripe

Chegamos ao Mucuripe às 5:30
Amanheceu
Nenhum pescador olhou para nós
Choveu

O despertador tocou às 4:45 e na hora pensei: “Isso vai valer muito a pena!” Essa é a atitude que se deve ter quando precisamos acordar numa hora dessas, certo? Nossa ideia era ir até Mucuripe, praia onde os pescadores chegam para vender seus peixes após uma madrugada no mar e fazer o Fale com Estranhos por lá.

Chegamos e montamos nosso equipamento na areia – o que já é uma péssima ideia – e esperamos alguém notar a placa e sentar pra conversar.

Recepção fria nos primeiros minutos. Digo fria pra não dizer que fomos completamente ignorados pelos jangadeiros. Acontece que, a essa hora, o mercado do peixe está no auge, todo mundo quer vender e não sobra tempo pra mais nada.

Mas, tudo bem. Às vezes demora mesmo pra começarem a falar conosco.

Quando as primeiras gotas de chuva começaram a cair bem de leve, a Adriana me perguntou se eu estava sentindo e eu disse que sim, mas que negava pra mim mesmo a existência delas.

Aí então a chuva começou a cair MUITO FORTE. Fiquei meio em pânico pensando que perderíamos todo o equipamento, mas demos um jeito de enfiar tudo na mochila e correr para um abrigo. Acontece que a gente estava no meio da praia, bem longe de qualquer tipo de abrigo e a montagem dos nossos equipamentos é sempre feita por partes, não dá pra desmontar tudo de uma vez, então enquanto eu corria na areia (um excelente terreno pra se correr, especialmente quando molhado) tentando salvar nossos equipamentos eletrônicos, o tripé ficava lá, tomando muita chuva. Nem sempre Deus ajuda quem cedo madruga.

De volta ao hotel, secamos todo o equipamento e voltamos, só que não para Mucuripe e sim para o calçadão da Avenida Beira Mar. Depois que o pior passou, demos risada e pensamos no poeminha que abre o texto.

Chegamos no Calçadão. Choveu de novo. Corri para um orelhão, mas fui expulso de lá por duas abelhas que também buscavam abrigo.

Daniel

Postado dia 13 de dezembro de 2014
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