Adriana

"Adoro jogar bola! Eu era atacante do meu time"
29 anos
Fenelivro, Olinda, PE

Postado dia 08 de setembro de 2015
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Leandro

"Meus maiores ídolos são o Homem-Aranha e a minha avó"
28 anos
Fenelivro, Olinda, PE

Postado dia 04 de setembro de 2015
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Wandecock

"O álcool transformava meu pai em outra pessoa"
50 anos
Praça Silvio Romero, São Paulo, SP

Postado dia 29 de maio de 2015
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Diego

"Minha avó se suicidou há três dias"
25 anos
Liberdade, São Paulo, SP

Postado dia 12 de março de 2015
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Fabiane

"A minha mãe foi assassinada e nunca contou pra ninguém quem é o meu pai"
31 anos
Avenida Paulista, São Paulo, SP

Outro dia, demos uma entrevista para o jornal O Globo e uma das coisas que nos perguntaram foi se alguma pessoa já havia cantado durante as conversas. Eu disse ao repórter que ele ficaria surpreso com o tanto de gente que, além de estar disposta abrir detalhes muito íntimos da vida, também canta na frente da câmera sem o menor constrangimento.

Mas, nunca havia acontecido de alguém tocar um instrumento.

Fabiane nos encontrou na Avenida Paulista depois de ter passado a manhã tocando violão com um amigo por alguns trocados na estação Vergueiro do Metrô. “Só consegui dinheiro para um suco”, ela nos falou e completou dizendo que teve de pagar o valor da condução do próprio bolso.

Ela dividiu conosco uma história muito triste sobre sua família e, apesar dos detalhes horríveis, eu achei que ela tinha uma vibe muito positiva. Eu tenho muita admiração por quem não faz drama e nem se vitimiza mesmo diante dos acontecimentos mais barra pesada. Ela fez um relato bem direto, sem exageros e isso me ganhou.

No final do vídeo ela toca violão e canta uma música do Nando Reis, porque achou que essa letra tinha um pouco a ver com sua trajetória.

Eu acho que essa é uma das imagens mais bonitas que já fizemos até agora no projeto. Além de ter um enquadramento bastante diferente do normal, é curioso perceber a indiferença das pessoas que passam pela rua enquanto ela coloca o coração em uma música.

Daniel

Postado dia 02 de fevereiro de 2015
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Ocion e João Victor

34 e 14 anos
XI Bienal do Livro do Ceará, Fortaleza, CE

Um menino triste e seu pai herói

Tínhamos decidido recolher os equipamentos quando Ocion pediu para falar com a gente. Estávamos na Bienal do Livro do Ceará, em Fortaleza, e aquela tarde já havia sido muito produtiva – entrevistamos um sujeito que nos matou de rir, Gerardo, e uma menina encantadora, a Letícia, além de outras figuras que vocês ainda vão conhecer. A noite já avançava, estávamos suados, cansados, famintos e nutríamos o doce sentimento do dever cumprido, mas resolvemos fazer mais uma entrevista. E, na sequência, mais uma. Ainda bem, porque vivemos, ali, uma das experiências mais arrebatadoras do Fale com Estranhos.

À primeira e corriqueira pergunta, “Quem é você”, Ocion citou os dois filhos, João Victor e Vitória. “São os dois maiores troféus da minha vida”, disse. Presto bastante atenção a essa resposta. Acho que ela diz muito a respeito da escala de valores do entrevistado. Quem, de cara, revela a profissão mostra o quanto o trabalho é importante na sua vida. Já quem fala dos filhos não deixa dúvidas de que eles ocupam o centro da sua existência. Isso é puro achismo meu mas, no caso de Ocion, tenho certeza de que a minha tese se comprova.

Ocion é policial militar em Fortaleza. Talvez seja tido, por alguns de seus pares, como um cara que gosta “desse pessoal dos direitos humanos”, porque algumas vezes se pergunta os motivos que levam um bandido a ser um bandido. Demonstra arrependimentos, como na noite em que enxotou um criminoso ensanguentado que cambaleava numa rua próxima à sua casa. Reparem no olhar de Ocion quando ele lamenta não ter oferecido um copo de água ou uma camisa ao rapaz. Se não mencionasse a “briga interna” que o “bem e o mal” travam dentro dele, aquele olhar seria suficiente para dar o recado.

Nas batalhas mais práticas que trava no dia-a-dia da profissão – já viu um tiro passar a poucos centímetros de sua cabeça – Ocion lida com o terror de faltar para os filhos. Achei isso tocante. Mas só compreendi a real dimensão do medo quando ouvimos João Victor, seu filho.

“Sou um menino de família humilde”, ele se definiu. “Não tive muita convivência com a minha mãe”, continuou. Em menos de um minuto, começou a chorar. Passou a entrevista inteira lutando contra as lágrimas, que insistiam em interromper o fluxo da narrativa.

Quando era pequeno, João saiu de bicicleta com o pai e, na volta, encontrou a casa vazia. Foi abandonado pela mãe, que se mudou para Goiânia. João não fala abertamente sobre a dor do abandono, mas ela é clara. Mais tarde, o pai se casou novamente. Sobre a madrasta, ele diz: “Ela não desistiu de mim”.

O fim do vídeo é, pra mim, o momento mais comovente. João conta uma experiência inversa a que teve na volta para casa com o pai, quando encontrou tudo vazio. Na história mais recente, o final é feliz. “Eu me alegrei demais”, ele ri, finalmente.

O que mais nos impressionou, além do relato forte de pai e filho, foi a cumplicidade entre eles. João não ouviu a entrevista de Ocion – e, na vez do menino, o pai preferiu se afastar para longe. Ao fim, os dois saíram andando abraçados pelo saguão do Centro de Convenções, até alcançar a porta que levava à rua e fugir do alcance da nossa vista. Justamente por causa dessa cumplicidade, o Daniel optou por fazer uma edição diferente a que vocês estão acostumados. Esta é a primeira vez em que duas pessoas aparecem no mesmo vídeo.

Não pude deixar de pensar em como João Victor precisa do pai. Precisa muitíssimo. E como é cruel que Ocion exerça uma das profissões mais arriscadas do país.

No dia seguinte à entrevista, João Victor completou 14 anos. Tomara que ele tenha tido um aniversário bacana como na vez em que foi comprar sanduíches na esquina de casa.

Adriana

Postado dia 16 de janeiro de 2015
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