Leandro

"Meus maiores ídolos são o Homem-Aranha e a minha avó"
28 anos
Fenelivro, Olinda, PE

Postado dia 04 de setembro de 2015
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Renato

"Eu conheci minha esposa no ensaio da Gaviões da Fiel"
32 anos
Rua XV de Novembro, São Paulo, SP

Postado dia 13 de abril de 2015
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Fabiane

"A minha mãe foi assassinada e nunca contou pra ninguém quem é o meu pai"
31 anos
Avenida Paulista, São Paulo, SP

Outro dia, demos uma entrevista para o jornal O Globo e uma das coisas que nos perguntaram foi se alguma pessoa já havia cantado durante as conversas. Eu disse ao repórter que ele ficaria surpreso com o tanto de gente que, além de estar disposta abrir detalhes muito íntimos da vida, também canta na frente da câmera sem o menor constrangimento.

Mas, nunca havia acontecido de alguém tocar um instrumento.

Fabiane nos encontrou na Avenida Paulista depois de ter passado a manhã tocando violão com um amigo por alguns trocados na estação Vergueiro do Metrô. “Só consegui dinheiro para um suco”, ela nos falou e completou dizendo que teve de pagar o valor da condução do próprio bolso.

Ela dividiu conosco uma história muito triste sobre sua família e, apesar dos detalhes horríveis, eu achei que ela tinha uma vibe muito positiva. Eu tenho muita admiração por quem não faz drama e nem se vitimiza mesmo diante dos acontecimentos mais barra pesada. Ela fez um relato bem direto, sem exageros e isso me ganhou.

No final do vídeo ela toca violão e canta uma música do Nando Reis, porque achou que essa letra tinha um pouco a ver com sua trajetória.

Eu acho que essa é uma das imagens mais bonitas que já fizemos até agora no projeto. Além de ter um enquadramento bastante diferente do normal, é curioso perceber a indiferença das pessoas que passam pela rua enquanto ela coloca o coração em uma música.

Daniel

Postado dia 02 de fevereiro de 2015
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Marinaldo

"Sou uma pessoa que explodo e foi isso que me levou à prisão. Tô respondendo pelo 121. Homicídio, né?"
42 anos
Estação da Luz, São Paulo, SP

Não vi Marinaldo chegando pra conversar com a gente. Eu estava fazendo alguma outra coisa, mexendo na câmera ou algo assim. Ele chegou do lado da Adriana, falou com ela e quando percebi ele já estava sentado, pronto pra conversar.

Fiz o que sempre faço: coloquei o microfone nele, pus os meus fones de ouvido e pedi pra ele dizer o nome apenas pra testar o áudio. Eu nunca tinha conversado com uma pessoa que responde por homicídio. Não que eu saiba, ao menos. Naquele momento eu ainda não sabia disso, mas essa foi uma das primeiras coisas que ele falou.

Uma das coisas que eu tenho reparado é que, não importa como a conversa começa, a pessoa quer falar logo sobre sua maior questão, seja ela trágica ou alegre. Tudo de mais impactante que nos foi dito até agora aconteceu nos três primeiros minutos.

Marinaldo começou a se descrever e logo falou que havia “desferido um golpe” em uma pessoa. Não ficou claro se essa pessoa morreu ou não, mas isso não importa. Ele também não quis falar de primeira que usou uma faca pra desferir o golpe.

Quando pedimos pra que ele explicasse o motivo que o levou a fazer isso, a descrição não foi muito precisa, ao contrário da receita de risoto de camarão com aspargos que ele descreveu detalhadamente. Marinaldo é cozinheiro e diz que sua escola é a contemporânea.

Mesmo trabalhando em São Paulo – terra em que tudo ganha uma versão gourmet – ele fez uma descrição brilhantemente tosca de um troço que agora é moda chamar de “storytelling”. Ele não usou esse termo, é claro. Mas deixou claro que “não é só chegar e pedir um filé mignon ao molho madeira e comer de qualquer jeito, é muito importante saber a origem da comida.”

Mas o que eu mais gostei mesmo foi no final quando ele descreve a receita. A imagem começa escura – uma nuvem passou na frente do sol, alguém fechou a porta atrás de nós, não sei – mas conforme ele vai contando a história, o sol volta a bater gradualmente em seu rosto e ele finaliza, com o rosto brilhando, a sua melhor receita.

Daniel

Agradecimentos: CPTM

Postado dia 26 de novembro de 2014
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