Israel

"Eu trabalho com isso há 20 anos"
47 anos
Rua XV de Novembro, São Paulo, SP

Na entrevista com Israel, quebramos uma regra do Fale com Estranhos. Valeu muito a pena. E, já que estamos no campo das exceções, também resolvemos contar esta história de um jeito diferente. Tomara que vocês gostem – e, se não gostarem, os comentários estão aqui é pra isso. :-)

Postado dia 17 de abril de 2015
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Renato

"Eu conheci minha esposa no ensaio da Gaviões da Fiel"
32 anos
Rua XV de Novembro, São Paulo, SP

Postado dia 13 de abril de 2015
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O meu porquinho-da-índia

porquinhosite.

Eu devia ter ali pelos dez anos quando, na escola, uma garota me perguntou se eu gostava de poesia. Respondi que sim e ela me pediu para citar o meu poema preferido. Estufei o peito e recitei os versos de Porquinho-da-índia, do Manuel Bandeira, que eu orgulhosamente sabia de cor. A menina me olhou com uma cara estranha, talvez me achando meio esquisita – como assim, o porquinho-da-índia foi a sua primeira namorada? – e disse que não era nada daquilo, poemas eram versos como “não machuque o meu coração, você pode estar dentro dele”, que ela tinha aos montes anotados em um caderno cheio de rosinhas e outros adornos.

Senti tanta vergonha, mas tanta, que nunca mais me esqueci do episódio. Anos depois, trabalhando em redação, me senti inúmeras vezes na mesma situação. Em vez de porquinhos-da-índia, minhas obsessões eram outras, a maioria tida como fora de moda, velha e sem graça. Ir pra rua? Por favor, isso era para uma época em que não existiam telefones celulares e nem Google. Antes das reuniões de pauta, uma colega me dizia, em tom de piada, que eu não deveria mencionar, jamais, comunidades ribeirinhas do Amazonas. Índios? Só se a intenção fosse provocar uma demissão, no caso a minha. “Dá uma sacada no Pinterest, fuça alguma coisa nos sites descolados da gringa”, me recomendavam, na melhor das intenções (obrigada, meus amores). Nada de porquinho-da-índia, só “não machuque o meu coração”.

Claro, estou sendo injusta e generalista – muitas vezes tive editores que ainda acreditavam que jornalismo se faz na rua. Salve, Jefão. Ressalva feita, o fato é que, de uma forma geral, o pensamento era de que não havia mais nada a ser descoberto que uma outra pessoa, mais esperta e antenada que todos nós, já tivesse trazido à tona. As melhores histórias estavam na tela do computador, esse papo de jornalista com calcanhar sujo era uma nostalgia besta, “que coisa mais anos 70”. Fora que ainda era dispendiosa, porque sair da toca, quase sempre, custa caro.

Pois bem. Todo esse nariz-de-cera é para dizer o seguinte: o Fale com Estranhos é a minha redenção particular do Porquinho-da-índia. Juro: não há uma única vez em que não saiamos à rua que não voltemos com pelo menos uma história fantástica. E sabe o que é mais engraçado? A gente nem procura tanto assim. Ficamos parados, simplesmente esperando que uma história caia do céu e elas caem, aos montes, direto no nosso colo. Talvez a diferença essencial seja que estamos no lugar onde chove, e não dentro de um escritório hermético e refrigerado.

Na última quinta-feira, por exemplo, conhecemos um tetraplégico condenado a viver em cadeira de rodas que voltou a andar; duas mulheres que perderam os filhos em acidentes de carro, ambos com a mesma idade (uma coincidência que me deixou mal); um torcedor fanático do Corinthians que viajou para Porto Alegre com 5 reais no bolso apenas para ver o time jogar; um cara aparentemente maluco que vende plantas e as sustenta na cabeça, sobre uma tábua, e que responde, aos que o têm como um coitadinho: “Eu sou muito é valente”. E isso foi apenas ontem. Em quatro horas no Centro de São Paulo.

Se, em vez de enfrentar o sol, o trânsito e a poluição tivéssemos permanecido no escritório, com nossos saltos altos e camisas bem passadas, jamais teríamos descoberto essas histórias tão fantásticas. Acho, sinceramente, que a crise no jornalismo tem muito a ver com essa glamourização fútil do nosso ofício, com a preguiça, com a impressão de que o público não vai perceber os nossos truques de apuração, com a pasteurização que tornou tudo chato, insosso e falso.

Deixo vocês com a transcrição do Porquinho-da-índia, que eu lia em uma coletânea de edição vagabunda, com as folhas soltando (a encadernação era um lixo, mas cumpria o papel).

Porquinho-da-Índia

Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!

Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas…

— O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.

Adriana

Postado dia 12 de abril de 2015
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Vitor

"Sim, temos algumas piadas sobre brasileiros em Portugal"
45 anos
Praça Antônio Prado, São Paulo, SP

Postado dia 10 de abril de 2015
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Rosa

"Ele me disse que eu estava curada. Em momento algum eu falei que tinha câncer"
36 anos
Praça do Ferreira, Fortaleza, CE

Postado dia 08 de abril de 2015
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Uma carta para o Mateus

Avenida Paulista, São Paulo, SP

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Mateus,

A esta altura, passados seis meses desde o dia em que lhe entrevistamos na Avenida Paulista, você deve estar pensando que consideramos o seu depoimento sem graça. Ou que tivemos algum problema de áudio, imagem – às vezes, isso acontece – e, por isso, a sua entrevista não foi ao ar. Cara, não foi nada disso. Parece meio surreal, mas ficamos com medo que, por causa do vídeo, você morresse.

Você tem 18 anos e namora, há alguns meses, um rapaz que conheceu pelo Facebook. O dia em que ele pediu você em namoro e lhe presentou com uma aliança foi um dos mais felizes da sua vida – e, há poucos meses, para melhorar, vocês moram juntos, na casa dos seus pais. O problema é que, para a sua família, o rapaz é simplesmente um amigo. “Se o papai souber a verdade, a casa cai. Ele é homofóbico”. Você deve se lembrar que eu perguntei o que aconteceria caso o seu pai visse o vídeo. “Ele não vai nem ficar sabendo”, você respondeu.

Mateus, não dá pra afirmar isso com tanta certeza, ainda mais nos tempos virais em que vivemos. Algumas coisas poderiam ocorrer caso o vídeo chegasse a ele que, por ser homofóbico, morreria de vergonha dos amigos da oficina mecânica, dos parentes, da vizinhança. Enquanto tentávamos decidir se colocávamos ou não o seu vídeo no ar, eu e o Daniel lembramos do caso do garoto de oito anos que foi espancado até a morte pelo pai, no Rio de Janeiro, por ser “afeminado”. Claro, estamos falando do limite da intolerância, mas há tantos casos de crimes homofóbicos no Brasil que, sinceramente, decidimos que não dava pra correr esse risco.

É uma pena, porque a sua entrevista ficou incrível. Gosto particularmente quando você fala que o seu maior medo é ficar cego – também morro de medo disso. Torço para que você consiga entrar na faculdade de Medicina e, o quanto antes, conheça o Egito e a Rússia. Nunca estive nestes dois países, mas dizem que são realmente fascinantes. Tomara também que você se reconheça neste texto – afinal, seu nome não é Mateus – e que você nos desculpe, caso a nossa decisão não tenha sido a mais acertada.

Felicidades!

Um beijo,
Adriana

Postado dia 07 de abril de 2015
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William

"O lado bom de morar na rua é que um ajuda o outro"
24 anos
Praça do Patriarca, São Paulo, SP

Postado dia 06 de abril de 2015
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Wilton

"O diploma chegou e começou a tocar 'The Final Countdown' do Europe"
Praça do Ferreira, Fortaleza, CE

Postado dia 02 de abril de 2015
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