Francisco

"Quanto mais carne se come, mais se mata"
50 anos
Vale do Anhangabaú, São Paulo, SP

Postado dia 20 de março de 2015
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Paula e Letícia

Vale do Anhangabaú, São Paulo, SP

Postado dia 13 de março de 2015
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Wilson

"Eu faço amor com prostitutas. Você ouviu bem: eu faço amor, não fornico"
46 anos
Vale do Anhangabaú, São Paulo, SP

Postado dia 10 de março de 2015
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O desinibido

Vale do Anhangabaú, São Paulo, SP

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Um dos primeiros lugares em que trabalhei foi uma locadora de vídeo, daquelas de bairro, bem pequenas. Isso aconteceu um pouco antes da Blockbuster chegar ao Brasil. Assim que as primeiras Blocks começaram a abrir, as lojas de bairro foram fechando.

Bem, a Blockbuster tinha lá algumas vantagens. Você podia ficar mais tempo com os filmes, tinha aquela caixinha pra devolução 24 horas, mas havia uma coisa muito importante que garantiu uma sobrevida aos pequenos: a salinha do pornô.

Na segunda metade dos anos 1990 a pornografia ainda não havia se alastrado com tanta força pela internet. Na verdade, nem a internet tinha se alastrado pela internet e, além disso, a política da Blockbuster era de não trabalhar com filmes eróticos. Então, se você morasse no meu bairro e quisesse ver alguma pornografia, teria de ir até a locadora em que eu trabalhava.

Depois de algum tempo, é inevitável conhecer os hábitos de alguns clientes. Dna. Elizabeth, por exemplo, tinha predileção pelo Denzel Washington. Viu Coragem Sob Fogo umas mil vezes. Dna. Silvia morava em um prédio sem elevador e era tão preguiçosa que, além de só alugar por telefone, me pedia para levar as fitas até sua casa. Quando eu chegava no prédio, ela estava me esperando na varanda do segundo andar e assim que me via, descia um saquinho de supermercado amarrado em uma barbante com o dinheiro da locação. Eu recolhia as notas e colocava as fitas dentro do saco para o içamento.

Rogério e Silvana sempre pegavam um filme de porrada e uma comédia romântica. Menos quando a Silvana viajava para visitar a família no interior e o Rogério ficava sozinho – é claro que eu sei de tudo isso porque era uma locadora de bairro e as pessoas têm essa mania de falar com estranhos. Mmmm. Talvez tenha sido aí que a primeira fagulha desse projeto tenha surgido.

Desculpe. Rogério. Quando estava sozinho, ele alugava um pornô. Mas não simplesmente alugava a fita, ele sempre ia até o balcão se justificando, exalando vergonha pelos poros. “Ver um negocinho diferente agora que a patroa tá fora, né?”. Devolução pra terça-feira, ok?

Wilson não faria a menor cerimônia no balcão caso tivesse sido cliente da locadora. Ele fala tão abertamente sobre suas preferências por prostitutas e declama seu poema erótico com tamanha naturalidade que foi inevitável lembrar do camarada que ruborizava na hora de alugar um pornozinho. Para ele, não existe aquela ideia do prostíbulo como um lugar meio secreto, meio da vergonha. Na verdade, ele ignora essa ideia a tal ponto que mantém um relacionamento com uma das moças que trabalham no estabelecimento que frequenta.

Ele me pareceu uma versão pervertida Angelo. Vejo uma coisa meio similar nos dois, só que um é focado na religião e o outro, no erotismo. Erotismo, claro, é só uma palavra mais suave a respeito das preferências do artista.

Nesse projeto, a toda hora a gente tem uma conversa favorita. Já passaram pelo meu ranking o Castor, Marinaldo, Ninívia, Taco Pancadão e mais alguns, mas, nesse momento, posso garantir que Wilson é o dono do troféu. Pelo menos até amanhã.

Daniel

Postado dia 10 de março de 2015
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Negro Bússola

"Quando eu ouvi os Racionais MC's cantando sobre Steve Biko e Martin Luther King, eu quis saber quem eram esses heróis negros"
41 anos
Vale do Anhangabaú, São Paulo, SP

Postado dia 09 de março de 2015
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