Uma carta para o Mateus

Avenida Paulista, São Paulo, SP

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Mateus,

A esta altura, passados seis meses desde o dia em que lhe entrevistamos na Avenida Paulista, você deve estar pensando que consideramos o seu depoimento sem graça. Ou que tivemos algum problema de áudio, imagem – às vezes, isso acontece – e, por isso, a sua entrevista não foi ao ar. Cara, não foi nada disso. Parece meio surreal, mas ficamos com medo que, por causa do vídeo, você morresse.

Você tem 18 anos e namora, há alguns meses, um rapaz que conheceu pelo Facebook. O dia em que ele pediu você em namoro e lhe presentou com uma aliança foi um dos mais felizes da sua vida – e, há poucos meses, para melhorar, vocês moram juntos, na casa dos seus pais. O problema é que, para a sua família, o rapaz é simplesmente um amigo. “Se o papai souber a verdade, a casa cai. Ele é homofóbico”. Você deve se lembrar que eu perguntei o que aconteceria caso o seu pai visse o vídeo. “Ele não vai nem ficar sabendo”, você respondeu.

Mateus, não dá pra afirmar isso com tanta certeza, ainda mais nos tempos virais em que vivemos. Algumas coisas poderiam ocorrer caso o vídeo chegasse a ele que, por ser homofóbico, morreria de vergonha dos amigos da oficina mecânica, dos parentes, da vizinhança. Enquanto tentávamos decidir se colocávamos ou não o seu vídeo no ar, eu e o Daniel lembramos do caso do garoto de oito anos que foi espancado até a morte pelo pai, no Rio de Janeiro, por ser “afeminado”. Claro, estamos falando do limite da intolerância, mas há tantos casos de crimes homofóbicos no Brasil que, sinceramente, decidimos que não dava pra correr esse risco.

É uma pena, porque a sua entrevista ficou incrível. Gosto particularmente quando você fala que o seu maior medo é ficar cego – também morro de medo disso. Torço para que você consiga entrar na faculdade de Medicina e, o quanto antes, conheça o Egito e a Rússia. Nunca estive nestes dois países, mas dizem que são realmente fascinantes. Tomara também que você se reconheça neste texto – afinal, seu nome não é Mateus – e que você nos desculpe, caso a nossa decisão não tenha sido a mais acertada.

Felicidades!

Um beijo,
Adriana

Postado dia 07 de abril de 2015
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Raquel

"Eu queria fazer uma surpresa pro meu marido"
29 anos
Avenida Paulista, São Paulo, SP

Ontem, Raquel completou 11 anos de casamento. Poucos dias antes, ela nos encontrou na Avenida Paulista e pediu uma ajuda para fazer algo especial para o marido, então nós demos uma mãozinha.

Postado dia 23 de fevereiro de 2015
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Vitor

"Eu já fiz pole dance em um trem"
20 anos
Avenida Paulista, São Paulo, SP

Postado dia 13 de fevereiro de 2015
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Jamile

"Eu esqueci de dizer que sou adotada"
11 anos
Avenida Paulista, São Paulo, SP

Postado dia 04 de fevereiro de 2015
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Gianfiore

"No nordeste, jogaram sal grosso nas nuvens para criar precipitação"
61 anos
Avenida Paulista, São Paulo, SP

Postado dia 03 de fevereiro de 2015
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Fabiane

"A minha mãe foi assassinada e nunca contou pra ninguém quem é o meu pai"
31 anos
Avenida Paulista, São Paulo, SP

Outro dia, demos uma entrevista para o jornal O Globo e uma das coisas que nos perguntaram foi se alguma pessoa já havia cantado durante as conversas. Eu disse ao repórter que ele ficaria surpreso com o tanto de gente que, além de estar disposta abrir detalhes muito íntimos da vida, também canta na frente da câmera sem o menor constrangimento.

Mas, nunca havia acontecido de alguém tocar um instrumento.

Fabiane nos encontrou na Avenida Paulista depois de ter passado a manhã tocando violão com um amigo por alguns trocados na estação Vergueiro do Metrô. “Só consegui dinheiro para um suco”, ela nos falou e completou dizendo que teve de pagar o valor da condução do próprio bolso.

Ela dividiu conosco uma história muito triste sobre sua família e, apesar dos detalhes horríveis, eu achei que ela tinha uma vibe muito positiva. Eu tenho muita admiração por quem não faz drama e nem se vitimiza mesmo diante dos acontecimentos mais barra pesada. Ela fez um relato bem direto, sem exageros e isso me ganhou.

No final do vídeo ela toca violão e canta uma música do Nando Reis, porque achou que essa letra tinha um pouco a ver com sua trajetória.

Eu acho que essa é uma das imagens mais bonitas que já fizemos até agora no projeto. Além de ter um enquadramento bastante diferente do normal, é curioso perceber a indiferença das pessoas que passam pela rua enquanto ela coloca o coração em uma música.

Daniel

Postado dia 02 de fevereiro de 2015
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Duas damas

Avenida Paulista, São Paulo, SP

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Uma mulher de boné e óculos escuros perguntou o que era aquilo. Quando dissemos que era um projeto de entrevistas com anônimos, ela recuou.
– Não sou tão anônima assim.

Eu, o Daniel e o Felipe, um amigo que nos acompanhava, nos entreolhamos.
Ninguém reconheceu a figura. Ela deve ter notado.
– Eu me disfarço um pouco – disse, puxando a aba do boné para baixo.
Depois reclamou da falta d’àgua e partiu. O Daniel acha que era a Maitê Proença, mas eu aposto na Helena Ranaldi. O Felipe votou na Betty Faria.

Uma senhora de cabelos curtos e grisalhos passou diante de nós, no sentido Paraíso. Dois minutos depois, passou de novo, sentido Consolação. Dessa vez, parou. Explicamos o que era o projeto. Ela sorriu, pareceu interessada. Disse que trabalhava em um jornal. Perguntamos se ela não queria contar sua história diante da câmera. “Tenho que ir”, respondeu. Dito isso, acelerou o passo, até transformá-lo numa corrida digna da São Silvestre, entrou no primeiro ônibus que parou no ponto e sumiu.

Adriana

Postado dia 30 de janeiro de 2015
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Lucas

"Depois eu descobri que uma das pessoas que me assaltou era colega de um dos meus primos"
21 anos
Avenida Paulista, São Paulo, SP

Postado dia 23 de novembro de 2014
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