Papo sadio

Copacabana, Rio de Janeiro, RJ

natan

Quando Natan se aproximou de nós, pensei que teríamos problemas. Ele tinha um olhar cheio de raiva e, o pior de tudo: estava a um passo de entrar no quadro enquanto filmávamos a conversa com o Thiago.

Tem um monte de gente que atrapalha as filmagens. Naquele mesmo dia, um vendedor de batatas chips que era a cara do Dennis Rodman parou do meu lado enquanto conversávamos com o Reinaldo e começou a oferecer o produto como se nada estivesse acontecendo. “Compra uma ruffle pra dar uma força aí, irmão”. Apenas acenei negativamente com a cabeça e esperei pelo melhor.

Eu achei que o Natan fosse fazer algo parecido, então fiquei prestando atenção nele e no Thiago ao mesmo tempo. Com algum esforço, consegui me concentrar na conversa e fiquei aliviado quando chegamos ao final dela sem nenhuma interrupção. Assim que acabamos, Natan pediu pra participar. Aquela deveria ter sido a nossa última conversa do dia, ainda tinhamos que pegar um voo de volta pra São Paulo e estávamos bem cansados.

Some isso a indisposição que criei sem motivo nenhum e o resultado foi um não logo da cara. Dei uma desculpa esfarrapada na esperança de conseguir vencê-lo imediatamente mas, ele insistiu bastante, queria muito falar. “E aí?” me perguntou a Adriana. Ok, vamos fazer.

Quando ele começou a nos contar as histórias de sua vida, aquele olhar cheio de raiva continuava o mesmo. Parecia que ele estava puto com a gente. Eram histórias terríveis de quando ele estava envolvido com o tráfico. Histórias que, de certa forma, já tinhamos ouvido antes. Era como se estivéssemos assistindo a uma versão ao vivo de Notícias de Uma Guerra Particular do João Moreira Salles. Ele estava ali contando aquilo que queríamos ouvir, aquilo que ele sabia que nos chocaria.

A coisa mudou quando a Adriana começou a perguntar sobre ele. Não sobre o universo em que ele circulava, mas sim quais as coisas que lhe eram importantes. Nessa hora, dá pra ver claramente como ele fica feliz e aquele olhar de raiva vai embora e dá lugar a um sorriso. Ele fica tão a vontade que, no final da conversa, pediu pra fazer uma rima e chamou seu amigo pra fazer a base enquanto improvisava uma letra ali na hora. Foi fantástico ver isso.

Eu acho que ele nos deu um dos momentos mais bonitos do projeto até agora. Ainda bem que falamos com ele.

Daniel

Postado dia 27 de fevereiro de 2015
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Natan

"No crime, só existem dois destinos: ou você vai preso ou morre"
18 anos
Copacabana, Rio de Janeiro, RJ

Postado dia 27 de fevereiro de 2015
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Thiago

"Eu sou vereador. É meu primeiro mandato mas, eu não pretendo continuar na política. Eu não me identifiquei."
25 anos
Copacabana, Rio de Janeiro, RJ

Postado dia 26 de fevereiro de 2015
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Giselle

"Eu conheci ele enquanto estava num relacionamento. Terminei no dia seguinte e três meses depois, nos casamos"
32 anos
Copacabana, Rio de Janeiro, RJ

Postado dia 10 de fevereiro de 2015
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Rafael

"Sou ator. Vim para o Rio com 200 reais em busca de oportunidades."
24 anos
Copacabana, Rio de Janeiro, RJ

Postado dia 29 de janeiro de 2015
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Julia

"Soneto Imortal. Dedico este soneto a todos os homens que pensam na morte."
29 anos
Copacabana, Rio de Janeiro, RJ

Postado dia 26 de janeiro de 2015
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Falamos com estranhos no rio

E foi muito bom! Estivemos por lá ontem e, a partir de segunda-feira, vamos começar a postar as primeiras conversas na cidade
Copacabana, Rio de Janeiro, RJ

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Postado dia 23 de janeiro de 2015
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