Fábio

"A minha ideia é fazer a minha parte, tirar o meu pedaço do bolo e simbora pra zona rural"
32 anos
XI Bienal do Livro do Ceará, Fortaleza, CE

Postado dia 24 de fevereiro de 2015
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Cláudio

"Eu pertenço à classe média tradicional, mas é uma classe safada que detesta ver uma doméstica sair de um shopping com uma sacola de compras"
67 anos
Praça do Ferreira, Fortaleza, CE

Dia desses, uma amiga me perguntou que tipo de gente nos procura para dar entrevistas. “Só deve aparecer maluco”, ela arriscou. Fiquei meio cabreira. “Como assim, só maluco?”, eu quis saber. “Sei lá, gente doida mesmo, com problemas psiquiátricos”, concluiu.

Se fosse, não haveria nenhum problema nisso. Ao contrário, talvez isso tornasse o projeto ainda mais interessante. Mas, em nome do rigor jornalístico, devo esclarecer que não é verdade. Todo tipo de gente dá entrevista para o Fale com Estranhos – lúcidos, lunáticos, homens, mulheres, transexuais, velhos, crianças e, dia desses, um cachorro latiu tanto durante uma conversa que talvez dê até para incluir os animais nesse grupo já tão heterogêneo.

Outro erro comum é achar que nossos entrevistados são a parcela escondida da sociedade, aquelas pessoas para quem a mídia não dá a menor atenção. Não necessariamente. Não fazemos distinção de classe econômica, intelectual, social ou do que for – até porque não selecionamos as pessoas. Esperamos que elas nos abordem. Se amanhã, por exemplo, o Pelé nos encontrar na rua e pedir para ser entrevistado, aceitaremos de bom grado. Mas, para nós, ele será apenas o Edson, homem comum a quem dirigiremos a nossa pergunta corriqueira: “Quem é você?”. O mesmo vale para o Barack.

Isso tudo é para falar do Cláudio, este senhor simpático que detona a classe média brasileira com singular pertinência. O Cláudio tem todo o palanque do mundo para falar sobre o que bem entender – aliás, ele é do conselho editorial do jornal mais influente da cidade onde mora, Fortaleza. Podemos dizer tudo sobre ele, menos que está à margem da sociedade.

Talvez seja meio cabotino dizer isso, mas estou convicta de que a beleza do Fale com Estranhos está justamente na diversidade. No dia seguinte à entrevista com Cláudio, lá mesmo em Fortaleza, encontramos o Raimundo Nonato, que nunca entrou em um avião e acha que a capital paulistana é banhada por uma linda praia. São dois homens que vivem na mesma cidade, mas em realidades e com referências completamente diferentes. Uma hora podemos conversar com alguém sobre o niilismo de Kant (em breve, vamos postar este vídeo). Em outra, sobre um transtorno intestinal dentro de um ônibus (Ninívia, como te esquecer?). Tem de tudo, e tudo é igualmente importante.

Ah, tem uma história interessante envolvendo o Cláudio. Ele nos viu pela primeira vez aqui em São Paulo, na Avenida Paulista. Achou aquele negócio curioso, mas passou direto. Semanas depois, nos encontrou na Praça do Ferreira, lá em Fortaleza, e aí resolveu nos abordar. Sério, qual é a chance disso acontecer, por todas as leis da probabilidade? Se eu acreditasse em eventos sobrenaturais, diria que foi o destino quem colocou o Cláudio e o Fale com Estranhos no mesmo caminho – e duas vezes, pra não ter erro.

Adriana

Postado dia 20 de fevereiro de 2015
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Danilo

"Depois de ler Osho, comecei a deixar os desejos de lado"
47 anos
XI Bienal do Livro do Ceará, Fortaleza, CE

Postado dia 11 de fevereiro de 2015
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Raimundo Nonato

"Eu gostaria muito de conhecer o Silvio Santos"
39 anos
Praça José de Alencar, Fortaleza, CE

Postado dia 09 de fevereiro de 2015
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Benedito

"Na idade que eu tô – 65 anos, não tenho mais chance. Ganho pouco, e toda mulher que se aproxima de um homem com a idade avançada quer saber de assunto financeiro."
65 anos
Praça do Ferreira, Fortaleza, CE

Postado dia 05 de fevereiro de 2015
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Helaynne

"Pra você ter uma ideia, eu era virgem quando trabalhei no sex shop"
28 anos
Praça do Ferreira, Fortaleza, CE

Postado dia 28 de janeiro de 2015
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Maggie

"Ele gosta de Homem Aranha. Foi a primeira coisa que eu achei legal nele"
21 anos
XI Bienal do Livro do Ceará, Fortaleza, CE

Por coincidência, a Maggie estuda na mesma faculdade onde me formei em jornalismo, o curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará. Enquanto ela falava sobre romances em encontros de estudantes, não pude deixar de me ver suspirando pelos caras dos semestres mais avançados, subindo a torrinha do Campus do Benfica (fazendo o que só quem estudou lá sabe o quê) ou bebendo cerveja quente no Cantinho do Céu, um pé sujo que ficava bem na esquina da universidade. Uma das coisas mais legais de conversar com estranhos é que, de vez em quando, no meio do processo, a gente conversa com a gente mesmo.

Adriana

Postado dia 20 de janeiro de 2015
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Vicente

"Aqui no Ceará quando chove é um milagre"
71 anos
Avenida Beira Mar, Fortaleza, CE

Nos anos 90, Ciro Gomes, então governador do Ceará, criou um negócio chamado Seguro Sol. Ele era tão confiante de que praticamente não chovia no estado que propôs esse desafio: Se chovesse enquanto você passasse férias por lá, sua viagem seria reembolsada integralmente. UAU! Ninguém faria uma proposta dessas se não fosse totalmente confiante de que quase nunca chove por lá.

Era por volta de 7:30 da manhã quando encontramos Vicente na Avenida Beira-Mar, em Fortaleza. Estávamos na rua desde as 5:30 porque havíamos tentado conversar com os pescadores do Mucuripe numa tentativa que foi frustrada pela… chuva.

A conversa foi muito curtinha, já que a chuva chegou de novo! No final do vídeo, percebe-se que se algum dia Vicente for eleito governador do Ceará, o Seguro Sol vai voltar. Aliás, onde é que eu dou entrada no meu pedido de reembolso? Duas vezes no mesmo dia!

Daniel

Postado dia 19 de janeiro de 2015
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